Bastante antigo é o debate na sociologia urbana sobre a questão do desaparecimento da comunidade, atribuído à urbanização e depois à suburbanização. Pesquisas refutando essa possibilidade afirmam que as pessoas se socializam/interagem/interferem em seu ambiente local: há uma resistência à individualização/atomização, gerando assim, agregação a organizações/entidades/ grupos comunitários urbanos, despertando uma identidade cultural, na (e da) comunidade. Castells sugere três conjuntos de metas principais para os movimentos urbanos: necessidades urbanas de condições de vida e consumo coletivo; afirmação da identidade cultural local; conquista da autonomia política local e participação na qualidade de cidadãos. Esses movimentos produziram significado e identidade, pela própria dificuldade e necessidade de sua criação e manutenção. Diante de um mundo regido pelo modus vivendi global (identidade legitimadora), os movimentos urbanos (identidade de resistência) são o que ainda ficou da resistência (que antes era bandeira dos fracassados movimentos e políticas pró-ativas) às exacerbações do capitalismo, estatismo e informacionalismo: a busca por “estados de bem-estar social”, que não são subsidiados pelo Estado. Essa resistência local surgiu do auto-reconhecimento da comunidade e gerou uma organização autônoma, que lida diretamente com redes de solidariedade e reciprocidade, sendo em grande parte, ONGs. A (re)construção dessa identidade comunal é um tipo de ação defesiva em relação à “desordem” e transformação globais. Mas Castells alerta que: “elas constroem abrigos, mas não paraísos”. Os movimentos urbanos e locais são alternativas para os excluídos ou resistentes a esse sistema global de identidade: as “comunas culturais” representam uma reação às tendências sociais predominantes, defendendo “fontes autônomas de significado”. É importante salientar que uma etnia não necessariamente irá gerar algum tipo de comuna, e que estas não são criadas arbitrariamente, mas de acordo com contextos históricos, geográficos, lingüísticos e ambientais diversos, provavelmente também adversos.Por: Carol
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CASTELL, Manuel. O poder da identidade. 5. ed. São Paulo: Paz e terra, 1999. (A era da informação: economia, sociedade e cultura; v. 2)
Neste capitulo do livro de Castells, o poder da identidade, expressa como a sociedade vem perdendo sua identidade coletiva, tendo como exemplo o racismo nos Estados Unidos na década de 1990. Para romper essas barreiras e trazer o bem estar para essa sociedade o autor propõe a criação de uma identidade cultural. Diante do debate do desaparecimento da comunidade, encontra resistencia pela socialização e integração pelas comunidades locais, que se caracterizam pela forte identidade territorial. Acrescentado que “é necessário um processo de mobilização social, isto é, as pessoas precisam participar de movimentos urbanos[...], pelos quais são revelados e defendidos interesses em comum”(CASTELL, 1999). Para se chegar nesta perspectiva deve-se a três conjuntos de metas: a) necessidades urbanas de condição a vida e consumo coletivo; b) afirmação da identidade cultural local; c)conquista de autonomia política local e participação na qualidade de cidadão. Para estas comunidades depois das conquistas e produção de significados, a memória coletiva da comunidade representa a importância de lembranças dos movimentos em uma determinada comunidade, mesmo depois de seu periodo de duração. Na atualidade, o autor divide os movimentos urbanos em 4 grandes grupos que podemos contextualizar com a realidade da cidade do Recife: 1- Orçamento participativo, onde o governo local atua, direta ou indiretamente num sistema diversificado de participação dos cidadãos sobre as decisões na administração pública; 2 – Movimento ambientalista contra a construção do Parque Dono Lindu em Boa Viagem, que busca preservar áreas verdes da cidade tendo como argumentos fenômenos atuais como o aquecimento global; 3 – Grupos de comunidades carentes baseados na Economia Solidária, projeto de sobrevivência coletiva que busca torna o cidadão um ser autônomo afastando-o da criminalidade e da miséria; 4 – Grupos relacionados à evolução dos movimentos urbanos, podemos citar os pichadores que através da profissionalização tornaram-se artistas urbanos chamados hoje de grafiteiros.